Gestação x Cancêr de Mama

Recentemente tenho acompanhado duas gestações que me motivaram a escrever esse post. Uma de uma mãe e esposa que está grávida novamente, de gêmeos e tratando de um cancêr de mama que descobriu praticamente junto com a gestação. Felizmente tanto mãe quanto bebês passam bem e ela agora está fanzendo a quimioterapia, com poucos dos sintomas habituais, sem nenhuma consequência no desenvolvimento dos fetos que passam bem e se desenvolvem normalmente, um relato animador!

A outra gestante descobriu recentemente que está grávida, após dois anos de remissão de um cancêr de mama não muito agressivo, mas que necessitou de uma mastectomia radical. E agora, como será!? Quais são as chances do cancêr voltar, dela poder amamentar!?

O fato é que gestação e cancêr de mama são dois assuntos que dificilmente serão tratados com naturalidade e ao mesmo tempo, mas que de fato, acontecem sim, mesmo que raramente, concomitantemente, angustiando familiares, parentes e amigos próximos das gestantes que passam por esse período tenso com tão poucas informações e tantas incertezas e temores. Então, vamos aos fatos:

O câncer de mama na gravidez é pouco comum e acontece em apenas 1% ou 2% dos casos. Entende-se por câncer associado à gestação aquele diagnosticado durante o ciclo gestacional ou até um ano após o parto. É de fundamental importância que durante o pré-natal o médico conheça o histórico médico e famíliar da paciente, executando o exame clínico das mamas. Caso seja constatado a presença de nódulo, deve-se realizar o exame de Punção, pois é através dele que o material colhido é enviado para análise citológica. Juntamente com esse exame cabe ao médico avaliar a necessidade ou não de uma ecografia mamária bilateral.

Se for constatado a presença efetiva de um câncer de mama, o seu tratamento é indicado mesmo durante o período gestacional, e a forma do tratameto dependerá do estágio da doença e da fase da gestação em que se encontra a gestante.

Uma das seguintes opções de cirurgias podem ser sugeridas pelos médicos: remoção total da mama (mastectomia radical modificada) ou cirurgia conservadora (recisão ampliada), seguida de radioterapia, sendo esse última opção oferecida em geral, somente para os casos diagosticados no último trimestre da gestação pois a radioterapia pode ser retardada para o período do pós-parto.

A média de idade de maior freqüência de diagnóstico do Cancêr de Mama Gestacional é de 35 anos, no entanto, há relatos de pacientes  muito jovens em que a doença foi diagnosticada já em fase avançada, algumas vezes, nesses casos, quando a doença está progredindo rapidamente, os médicos podem sugerir que a gestação seja interrompida em prol de uma melhora do prognóstico (resultad0), principalmente se houver indicação de quimioterapia no primeiro trimestre.

O uso da quimioterapia aumenta em muito as possibilidades de um aborto espontâneo ou pode ocasionar problema de malformação e desenvolvimento do feto. Portanto, a utilização de qualquer agente quimioterápico durante o primeiro trimestre da gravidez deve ser desencorajada e os riscos muito bem explicados a gestante e ao seu parceiro. Seu uso no 2º e 3º trimestres provavelmente induz poucas anormalidades, mas descutisse no meio acadêmico de que novos estudos, acompanhados a longo prazo, precisam ser realizados. A quimioterapia, preferencialmente, deve ser adiada para depois do parto, salvo em casos onde a vida da mãe está sendo posta em risco.

O uso da quimioterapia hoje é indicada em pacientes tratadas cirurgicamente e que apresentam maior risco de desenvolver metástases (cancêr progredir para outras regiões do corpo). São fatores de mau prognóstico: linfonodos comprometidos, tumor maior que 2 cm, receptores hormonais negativos, tumores indiferenciados e aneuplóides.

É preciso deixar claro que não há evidências de que o cancêr de mama em si afete o desenvolvimento do bebê ou até mesmo possa ser transmitido para o feto. Também não existem estudos que comprovem que fetos que se desenvolverem durante uma gestação onde foi tratado qualquer tipo de cancêr, possam desenvolver a doença quando adultos. O cancêr em si não traz risco ao bebê e sim o tratamento contra a doença uma vez que as drogas ministradas combatem células em crescimento/desenvolvimento, o mesmo tipo de desenvolvimento celular do feto, principalmente no primeiro trimestre.

Ainda há um debate quando a amamentação após tratamento de CMG. Existem indicíos de que o estímulo hormonal gerado pelo ato de amamentar pode fazer com o cancêr reapareça, além disso, as pacientes que receberam radio ou quimioterapia tem grandes chances de excretar resíduos de substâncias químicas pelo leite materno, portanto, a indicação da maioria dos médicos é pela suspensão da amamentação para paciente pós tratamento, assim como, a indicação de se evitar uma próxima gestação pelo período mínimo de 2 a 3 anos, pois o maior risco de recidiva do CMG ocorre nos dois primeiros anos e a recorrência do câncer em uma grávida acarretaria um agravamento no seu tratamento.

Mulheres que tratarem do cancêr de mama com sucesso e fizeram o acompamnhamento médico periódico após alta médica e que decidiram engravidar, deveram ter sua gestação acompanhada de perto pelo seu ginecologista, realizando periodicamente o exame clínico das mamas. Suas chances de amamentar com a mama que permaneceu após a cirurgia permanece igual a de uma mulher que não fez uma mastectomia.

Mais informações podem ser obtidas nos sites:

http://www.clubedamama.org.br, inclusive com um grupo de discussões aberto e opinião de especialistas a respeito destas e outras questões ligadas a mama.

http://tvglobo.maisvoce.globo.com/sosmaivoce/2010/10/20/doutor-guilherme-fala-sobre-cancer-de-mama

http://www.fundacaolacorosa.com/

Anúncios

1 comentário

  1. Michele

    Olá , achei muito interesse essa abordagem, aproveitando o assunto, vai ter um evento em Campinas – SP, sobre o câncer de mama, vc poderia publicar no seu blog? Desde já agradeço!

    Women’s Fair – Lifestyle & Store
    Data e horário: 02/04, das 14h às 20h
    Local: Vert Eventos – R. Frei Salomão, 231 – Sousas
    Ingressos: R$ 15:00
    Pontos de Vendas: Ventura Mall, AMZ Relações Públicas
    Parte da venda será revertida ao Hospital da Mulher – CAISM/Unicamp.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: